sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Minha querida adedanha.

Meus pensamentos mais absurdos e divertidos são os da manhã... Acho que meu cérebro começou a sofrer os efeitos do horário ridículo o qual eu acordo quase todos os dias...
A minha grande pérola de sabedoria de hoje veio durante aquele caminho entre o sono e o estudo, que eu não canso de admirar...
Não sei por que, comecei a lembrar dos meus tempos de escola, das aulas que matava e da quantidade de gente que se reunia na biblioteca do Pedro II, para acabar com o silêncio e a paz (que já eram escassos) do lugar.
O que isso tem a ver com a adedanha do título? Simples. Era na "mini casa dos livros" do meu colégio que aconteciam os melhores campeonatos desse jogo.
Todos os alunos (a quantidade sempre variava) sentavam-se em volta de uma mesa mínima, com lápis e papel na mão, nenhum espírito esportivo e certa apreensão... De repente gritava-se a mágica palavra (A-de-daaaa-nha!) e surgia um monte de mãos, indicando números diferentes, que logo se transformariam em uma letra. E era aí que a minha alegria começava...
Ficava como louca tentando lembrar de frutas, marcas de carro e países (os mais longínquos possíveis) cujo nome começasse com a letra selecionada e escrevia com o pior garrancho pra que pudesse ir mais rápido que todo mundo.
Logo após o "momento adrenalina" vinha a verdadeira diversão do meu dia. Comparar as respostas... As gargalhadas eram inevitáveis, apesar da cara feia da bibliotecária. Era uma confusão quando todos constatavam ter posto o mesmo animal e um festival de xingamentos quando chegávamos a parte em que tínhamos que descrever nossas possíveis sogras com adjetivos (tenho medo de sogras até hoje!).
Tais lembranças me provocavam risos contínuos. Minha companheira de banco de ônibus certamente achou que eu estivesse louca.
Depois lembrei do vídeo engraçadíssimo que minha amiga querida havia me mandado, cujo conteúdo eram demonstrações de ignorância total do mundo, por parte dos cidadãos americanos. Ri mais ainda. E então, veio a mim, a explicação para essa falta de conhecimento.
Eles jogaram adedanha na vida...

Volta...

É quase impossível acreditar que algo me fez desistir de escrever por tanto tempo... Trato já de resolver essa quase heresia...

terça-feira, 26 de junho de 2007

Uma viagem...

Hoje, no caminho para Niterói, tive a ilustre companhia de um bebezinho de quase um ano chamado João. A primeira coisa que ele fez quando sentou no colo de sua mãe, foi sorrir para mim. E eu retribuí. Um gesto tão simples traz tanta felicidade...


E como se ele soubesse que eu estava me sentindo mal, pulou para os meus braços. Fiquei em choque diante daquela reação, mas logo depois, pedi a mãe dele que ele ficasse comigo durante o trajeto. Ela sorriu e disse que o filho nunca tinha feito aquilo e que sim, eu poderia ficar com ele, até que uma das duas tivessem que saltar.


Daí por diante, se sucederam um dos melhores quarenta minutos que já passei na minha vida. João e eu brincávamos o tempo todo e constantemente recebia um abraço daqueles de nenem, bem gostosos. Outras vezes ele gargalhava e eu gargalhava junto. Enquanto isso, a mãe me contava a rotina de seu filho.


Quando vi meu ponto de ônibus se aproximar, fui me angustiando. Não queria deixá-lo de jeito nenhum, mas por medo de me acharem louca, entreguei a criança de novo para a moça do meu lado, coloquei a mochila nas costas e desci do ônibus.


Já não estava mais nem querendo imaginar quantos "Joãos" iam me deixar pelos pontos de ônibus por aí, quando vi alguém me chamar. E lá estavam os dois. Sentados do lado da janela, me mandando beijos. E eu comecei a rir novamente. E achei que tinha valido a pena.

terça-feira, 19 de junho de 2007

Aurea Mediocritas...

Belo conceito arcadista, não? " A mediocridade é de ouro". Belo, porém questionável... Recentemente, fui levada a fazer este questionamento e fiz algumas descobertas, favoráveis ou não...

A mediocridade tem um charme inigualável... À primeira vista, o medíocre oferece um elixir, uma escapatória de tantas amarras que temos na vida, uma sedução a qual resistem poucas pessoas...

Depois do charme, conhecemos o lado docemente irresponsável com o qual podemos levar a vida. E imaginamos porque passamos tanto tempo nos preocupando com coisas que agora enxergamos como inúteis...

Logo após nos vem a sensação de entendimento. Oras, sem tantas coisas que nos prendam ao nosso cotidiano, fica fácil uma análise de nossa vida e, principalmente, da vida do outro. Mergulhados nessa "tranquilidade", julgamos mais fácil a compreensão de tudo. E achamos que somos compreendidos da mesma forma...

Passado algum tempo, descobrimos que os sentimentos (e principalmente eles), também são médios. E aí que nós, eternos barrocos, voltamos a nossa realidade. Porque mais forte do que a vontade de se viver "levemente" é a impossibilidade de se viver pela metade...